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Distribuição digital de conteúdo

Caso você não tenha se escondido embaixo de uma pedra nos últimos 10 anos, deve ter percebido a importância que a distribuição digital de conteúdo tem conquistado na indústria de jogos. Mas, sabemos quais os impactos positivos e negativos disso?

Em minha infância, durante a “era” Master System, Mega Drive e Super Nintendo, não havia outro jeito: se você queria jogar um jogo, precisava comprá-lo ou locá-lo. Naquela época já havia até mesmo a temida “pirataria”, mas era bem menos popular do lado do consumidor final, já que se tratava da venda de cartuchos não-originais dos jogos. Com a popularização da Internet e dos emuladores, entretanto, quase todos os jogos daqueles consoles (e de tantos outros) tornaram-se disponíveis pela Internet. Bem, podemos dizer que este foi o “lado ruim” da distribuição digital de conteúdo, que facilitou a distribuição dos jogos e conteúdos relacionados por canais não oficiais, prejudicando a lucratividade da indústria dos jogos.

Por outro lado, a distribuição digital de conteúdo reduziu custos (ao eliminar intermediários na distribuição), facilitou acesso aos jogos (jogos podem ser adquiridos em qualquer lugar do mundo tão logo são liberados) e até mesmo permitiu mais facilmente o reúso de títulos antigos. Durante minha infância, os cartuchos mais baratos de SNES custavam cerca de R$ 30,00 (considerando-se a inflação, o mesmo jogo custaria hoje uns R$ 60,00!), mas hoje, alguns dos mais incríveis títulos daquele console encontram-se disponíveis para compra digital por menos de R$ 15,00. Com isso, a indústria de jogos expande um pouco mais seus lucros, o que aumenta as chances de sucesso de pequenas software houses, e ainda promove um pouco da cultura dos títulos antigos à nova geração.

A distribuição digital também trouxe outros inconvenientes. Quem não lembra de jogos da série Tekken com personagens destraváveis na medida em que você atingia certas metas ou completava o jogo um número de vezes? Pois é, hoje muitos jogos da PSN possuem personagens que são disponíveis somente como DLC, isto é, você precisa comprar à parte. Enfim, você compra o jogo e deveria adquirir tudo o que há nele, mas descobre que metade do elenco de personagens jogáveis só estará disponível caso compre os mesmos. Para certos casos, eu até concordo com a venda de conteúdo em formato DLC, mas há certos casos em que isso pode prejudicar a experiência de jogo daquele que não pode comprar todo aquele “conteúdo extra”.

E se observarmos os MMOG (massive multiplayer online games), aí veremos um modelo de negócio que tem dado muito certo apoiado na distribuição digital: o jogo em si e o acesso ao servidor são gratuitos (free-to-play), entretanto há certos itens do jogo que você somente pode adquirir comprando. A não aquisição do item não prejudica sua experiência de jogo, mas a aquisição pode torná-la ainda mais rica por oferecer certas funcionalidades ou benefícios.

A verdade é que não há como voltar atrás quanto à distribuição digital de conteúdo. Basta observar que as grandes first parties (detentoras de patentes dos consoles) Microsoft, Sony e Nintendo concentram cada vez mais esforços em suas “redes sociais para jogadores” e na oferta de conteúdo para os mesmos. E para você, meu amigo, qual a sua opinião a respeito da distribuição digital de conteúdo na indústria dos jogos?

Desenvolvimento de jogos em Flash é um bom negócio?


Muitos se perguntam se o desenvolvimento de jogos em Flash é ainda um bom negócio. Vimos o Flash despontar muito forte no início da Era “Jogos na Web” e hoje parece que a “poeira acalmou” bastante em torno da ferramenta. Com isso, a dúvida surge: vale a pena desenvolver jogos em Flash? Ou será que essa plataforma está com seus dias contados?

Bem, enquanto escrevo este artigo estou jogando Edge World, um jogo social em Flash que pode ser executado a partir do Google Plus, a nova rede social do Google. O jogo apresenta alguns bons pontos fortes em seu Game Design que me fazem voltar a jogá-lo todos os dias (estou jogando-o há pouco mais de uma semana), mas hoje não é sobre Game Design que queremos falar, não é? É sobre jogos em Flash, então vamos seguindo…

Muitos já devem saber que a Adobe interrompeu o desenvolvimento do Flash Player para browsers de dispositivos móveis. Em contrapartida, ela própria já se pronunciou focada em oferecer um melhor suporte (por meio de ferramentas e serviços) a Flex developers para desenvolverem aplicações AIR a serem executadas nos dispositivos móveis e em obter uma melhor experiência para a web, principalmente em jogos. Essa escolha foi muito interessante em minha opinião, pois lhe permite utilizar-se, no caso de dispositivos móveis, de um padrão adotado pela maior parte dos dispositivos (HTML5) e melhorar aquilo que ela possui melhor (para jogos, claro) – a plataforma Flash para a web em PCs.

E, em minha opinião, ela não está fazendo uma péssima escolha: jogos sociais estão se tornando cada vez mais populares e rentáveis (eu mesmo já estou pensando em gastar USD 10.00 ou USD 20.00 no que estou jogando!) . No SBGames 2011, por exemplo, tivemos uma palestra bem interessante, sobre jogos sociais e possibilidades de monetização dos mesmos.

Muitos querem criar seus próprios jogos, publicá-los e talvez ganhar dinheiro com eles. Um dos caminhos mais rápidos (sem perder a ética e o profissionalismo, claro) para conseguir tal objetivo, em minha opinião. Agora, o que muitos de nós (e aqui estou me incluindo também!) precisamos aprender é que muitas coisas mudaram. Quem visa um jogo em Flash como um produto comercial, isto é, algo com o qual espera ganhar dinheiro e não somente “aprender a fazer um jogo”, precisa levar isso em consideração do início ao fim do desenvolvimento de seu jogo, desde a fase de concepção. Muitos dos jogos sociais amadores se esquecem disso – e é por isso que muitos deles acabam por desaparecer da web, meses após seu lançamento.

Este é o ponto fundamental! Muitos reclamam dizendo que atuar na área de desenvolvimento de jogos em Flash está mais difícil, menos rentável, talvez. Em minha opinião, ela está amadurecendo: jogadores querem jogos com maior qualidade, pois muitos jogos com qualidade já estão sendo desenvolvidos em Flash! Infelizmente, alguns jogadores ainda encaram jogos em Flash com ceticismo, mas o inverso também acontece: há grupos de jogadores que não curtem jogar em um console ou mesmo jogos desktop. Isso deve ser levado em consideração.

Então, se você deseja atuar nessa área, algumas dicas para você:

  • Aprenda o máximo que puder sobre Flash e desenvolvimento em Flash. Não somente desenvolvimento de jogos, mas tudo o que puder;
  • Aprenda o máximo que puder sobre Game Design. Conversei com Roger Tavares, do Game Cultura, e pelo que me pareceu da entrevista (ainda vou publicá-la aqui, calma!) ele concorda com a importância de um conhecimento sólido em Game Design para todos aqueles que trabalham com programação ou design gráfico, uma vez que, no Brasil, muitas empresas não possuem um funcionário ocupando o papel claro do Game Designer. E por isso, pretendo expandir ainda mais o conteúdo do nosso curso Introdução ao Game Design e, se possível, teremos um workshop ou algo do tipo sobre o assunto em 2012;
  • Estude sobre o modelo de monetização de jogos web, casuais e sociais, pois são alguns dos principais tipos de jogos desenvolvidos para a plataforma Flash (temos também jogos educativos, serious games e advergames… Se quiser, pode estudar também estes, ok?);
  • Leve tudo isso em consideração do início ao fim! Do momento em que você define como será o jogo ao momento em que irá lançá-lo, tudo isso deve ser bem planejado a fim de conseguir a máxima diversão por parte do jogador, sem esquecer de oferecer certos benefícios para quem está disposto a pagar um pouco. 😉
Bem, é isso pessoal! Espero que este artigo sirva para falar um pouco sobre o que podemos esperar quando falamos sobre o futuro do desenvolvimento de jogos em Flash a nível de mercado. Até mais!